Filho do 1º Visconde de Menezes – fidalgo liberal que cursara leis em Coimbra e medicina na Universidade de Edimburgo – e de uma senhora inglesa, nasceu no Porto a 4 de Abril de 1817. Educado num ambiente aristocrático, estudou letras na Academia do Porto. Aos 16 anos alistou-se no exército, batendo-se por D. Maria II durante o cerco da cidade. A partir de 1834 passou a residir em Lisboa, onde recebeu as primeiras aulas de um pintor francês cuja identidade se desconhece. Foi aluno de António Manuel da Fonseca cujo ensino o desiludiu profundamente. Frequentou na recém-criada Academia de Belas Artes de Lisboa a “aula pública de modelo vivo”. Afirmando-se com alguma independência e determinação, expôs em 1834 na 2ª Trienal da Academia e na sua própria casa. Nesse ano pintou o primeiro de quatro auto-retratos que veio a realizar.
Recomendado pelo Rei D. Fernando, amigo da família, e financiado por seu pai partiu para Itália em 1844, juntamente com F. Metrass. Em Roma foi discípulo de Friedrich Overbeck – pintor de visão poética e religiosa – que admirou profundamente. Sob a sua direcção pintou temas religiosos, copiou desenhos de Rafael e foi incentivado a visitar Florença. Depois de um momento de sedução pela pintura a fresco de temas religiosos, optou definitivamente pelo retrato, confidenciando em carta escrita de Itália a sua mãe “em ramo algum da Arte pode um verdadeiro gentleman apresentar-se melhor do que no retrato (…). Um homem vulgar, ainda que com talento trair-se-á sempre”. Com efeito a descrição e a elegância caracterizam os seus retratos. Entretanto copiou, entre outros, Ticiano, Tintoreto, Veronese, Guido Reni, Rembrandt; pintou do natural paisagens e cenas de costumes. Nos finais dos anos 40 viajou por França, Bélgica, Holanda e Inglaterra. Copiou de novo Rembrandt e Van Dyck. Em Londres, a par do convívio com os pré-rafaelitas, encontrou nos retratos de Reynolds, Gainsborough e principalmente Lawrence, lições de técnica e cor que assimilou juntamente com algum convencionalismo da pose e do cenário elegante, colhido também em Parias, na pintura de Rigaud e Winterhalter.
Reencontrou-se com Metrass em Paris e juntos regressaram a Lisboa em 1850.Logo em 1851, desejosos de suscitar uma mudança no meio artístico, organizaram uma exposição colectiva. Meneses expôs quadros com cenas da vida popular e o “retrato do professor C. W. King” (Museu do Chiado), tela que introduziu a abordagem romântica na pintura de retrato em Portugal. Dentro deste espírito executou nos anos sessenta um notável retrato de sua mulher (Museu do Chiado) e mais tarde o retrato de sua filha (MNSR) – romântico na cor que se esfuma sem contornos rígidos, discreto na interpretação da figura digna e algo distante.
Académico de Mérito e membro da Academia de Roma, 2º Visconde de Meneses por morte de seu pai em 1853, foi membro fundador e vice-presidente da Sociedade Promotora de Belas Artes. É como fidalgo Cavaleiro da Casa Real agraciado com medalhas e diversas condecorações que se auto-retrata pela última vez em 1869 (MNSR).
Expôs na Promotora em 1862 e 1866 e em 1867 na Exposição Universal de Paris e em Madrid.
Morreu em Lisboa a 5 de Maio de 1878.