Nasce Artur de Sousa Loureiro no Porto, a 11 de Fevereiro de 1853. Cedo órfão de mãe, era filho mais novo do médico Dr. Francisco Loureiro e irmão do jornalista e temível panfletário Urbano Loureiro. Foi este que, notando a precoce aptidão de Artur, aconselhou o pai a deixá-lo ter aulas com Guilherme Correia e mais tarde com António José da Costa. Deste mestre diria mais tarde muito lhe dever.
Em 1871 matricula-se no 1º ano da Academia Portuense tendo realizado no ano anterior a prova equivalente ao 5º ano de Desenho Histórico. Foi seu professor João António Correia, acamaradando com Marques d’ Oliveira, Sousa Pinto e Silva Porto.
Em Portugal era então o ensino de Belas Artes académico e esclerosado, pouco aberto ao exterior, não existindo sequer na Academia do Porto a cadeira de Pintura de Paisagem. A ida para Paris ou Roma era sempre a solução para quem quisesse avançar.
Vai então ao concurso de pensionista do Estado, na classe de paisagem, com Silva Porto, em 1873. Na véspera da decisão do Júri requereu a desistência, retirando-se para beneficiar o adversário.
È deste ano o “Álbum de Desenhos” de sabor humorístico que o Museu Nacional de Soares dos Reis conserva e que foi oferecido pelo jovem artista ao rei D. Fernando, mecenas e ele próprio artista.
Desiludido com a Escola, decide abandoná-la e abrir no Bolhão um curso livre de desenho. É António José da Costa que o põe de novo no trilho, lembrando ao discípulo o muito que tinha para aprender.
Acabando o curso com as mais altas classificações vai a Lisboa disputar com Malhoa o prémio de pensionista do Estado em Roma. Corre o ano de 1875 e o concurso é anulado após longos e exasperantes meses de provas e contra provas. Conhece-se uma vaga incursão na caricatura, no periódico A Lanterna.
Mas a estadia em Lisboa permitiu-lhe ser notado por Delfim Guedes, mais tarde Conde de Almedina, que lhe subsidia os estudos em Itália.
Em Março de 1876 está em Roma. Encaminhado na sua nova vida por António de Andrade é apresentado pelos espanhóis Plasencia e F. Pradilla no Círculo Artístico de Roma e eleito sócio.
Em 79 vem de Roma para em Lisboa participar num concurso destinado a pensionar paisagistas em Paris. São seus adversários Condeixa e Columbano e mais uma vez se dividem as opiniões. Ramalho Ortigão tece-lhe os maiores elogios, Lupi defende tenazmente Condeixa. Conquistado o primeiro lugar, Paris espera-o. No atelier de Cabanel são seus companheiros Columbano, de quem ficará particularmente amigo, Souza Pinto, António Ramalho e Pousão. Columbano representou-o com frequência e num retrato seu Loureiro inscreverá a legenda un nourrisson dês chimères.
Anda por Barbizon, Anvers sur Oise, Brolles. Aqui conhece a que viria a ser a sua primeira mulher, senhora australiana de origem belga e também ela pintora. Participa nos Salons com algum êxito.
É certamente por esta altura que toma contacto com o movimento que desponta na Europa, mais tarde baptizado simbolismo. Por afinidades familiares – uma sua cunhada estava ligada a Huysmans, escritor e um dos teóricos das ideias simbolistas – e por afinidades electivas – Loureiro é um melancólico ainda que de sólido humor como se afere pelo título de muitos dos seus quadros.
Ao longo dos anos se irá manter fiel aos temas de sonho, da máscara, do recolhimento silencioso. A ideia do tempo que subitamente pára, abandonando as figuras à solidão extrema, é uma constante na sua obra, como constantes serão os arroxeados da linha do horizonte, o isolamento face ao olhar de quem observa.
Recém-casado, parte com a mulher para a Austrália, a conselho médico. Aí se fixa em 1885, após uma curta estadia em Londres onde expõe e se familiariza com os pré-rafaelitas.
Até 1901 a vida do Artista desenrola-se entre o trabalho – a obra e o ensino cuja qualidade lhe granjeia o reconhecimento público, abrindo-lhe as portas a cargos de relevo e a encomendas de vulto – e a vida de família. Mas a indizível melancolia que o habita fá-lo-á partir de Melbourne para o Porto. Regressa pouco depois à Austrália para em 1904 se fixar definitivamente na cidade que o vira nascer.
É desse ano o interessante Retrato de Senhora, figura negra destacando-se de um fundo neutro cujo estatismo é atenuado por um sorriso apenas sugerido.
Abre o Palácio de Cristal um atelier – escola por onde passam os filhos da burguesia local, sobretudo meninas. É seu discípulo dilecto Manuel Maria Lúcio.
Expõe anualmente no Salão Silva Porto o fruto do seu intenso labor – paisagem, retrato, cenas de género, animais e flores. Exigente consigo próprio e com os outros, foi muito enaltecido pelos seus contemporâneos granjeando, nomeadamente, os favores críticos do terrível Brás Burity, de quem deixou invulgar registo pictórico.
Morre em Julho de 1932 em Leonte, no Gerês, para onde tinha ido pintar, solitário como sempre.
Em 1935, é organizada no Porto a Grande Exposição dos Artista Portugueses integrada nas Homenagens Citadinas a Silva Porto, Henrique Pousão e Artur Loureiro.