Henrique César de Araújo Pousão nasceu em Vila Viçosa a 1 de Janeiro de 1859. Condicionado pela profissão do pai, viveu em várias cidades do país e iniciou os seus estudos artísticos na Academia de Belas-Artes do Porto que frequentou entre 1872 e 1879: foram seus professores, entre outros, Tadeu de Almeida Furtado e João António Correia. Na sua formação académica deve ainda considerar-se a influência dos pensionistas do Estado em Paris – Silva Porto e Marques de Oliveira – quer através das provas académicas que iam enviando à Academia nos anos de pensionato, entre 1873 e 1879, quer através do contacto directo com Marques d’Oliveira, regressado de Paris, na companhia de quem Pousão exercitou a pintura em saídas para o exterior.
Em Junho de 1880 venceu o concurso de pensionista no estrangeiro na classe de Paisagem tendo partido para Paris, em Novembro desse ano, na companhia de Sousa Pinto. Foi admitido na Escola de Belas-Artes de Paris onde foram seus professores Yvon e Cabanel. Trabalhou intensamente para cumprir as obrigações académicas e realizou pequenos estudos e apontamentos de paisagem. Após um ano, e por razões de saúde, pediu autorização para se transferir para Itália, em busca de melhores ares, tendo chegado a Roma em Dezembro de 1881. Um pouco à margem da disciplina académica, Pousão desenvolveu um programa de estudos particular e, em Roma, inscreveu-se no Círculo de Artistas onde desenhava e estudava.
Em Itália realizou um conjunto de obras particularmente qualificadas que revelam as várias facetas e potencialidades de um pintor com grande aptidão para a experimentação de novas propostas estéticas. Uma nova etapa é marcada pelas duas estadias em Capri, entre 1882 e 1883, intercaladas com os regressos a Roma para o envio das remessas de pensionista à Academia Portuense. Nestes anos, que acabaram por ser os últimos de uma breve vida, realizou excepcionais paisagens e um número significativo de estudos que revelam a sua particular atenção aos valores plásticos da luz e da cor.
A doença que o afectou obrigou-o a regressar a Portugal no final de 1883. Após a morte do pintor, o pai ofereceu todo o espólio existente na família à Academia Portuense de Belas-Artes onde se juntou às provas escolares ali existentes. Todo este conjunto notável está reunido no Museu Nacional de Soares dos Reis.