Natural de Arraiolos, Simão César Dordio Gomes matriculou-se com apenas 12 anos na Academia de Belas Artes de Lisboa, que frequentou até 1910. Aluno de Luciano Freire e Veloso Salgado, as suas primeiras obras revelam todavia o fascínio que sobre ele exercia Columbano, com os seus tons sombrios.
Em 1910 parte para Paris, com uma bolsa do legado Valmor. Aí frequentou a Academia Julian e as aulas de Jean-Paul Laurens. Esta estadia, interrompida logo em 1911, pouco alterou a sua obra. Não obstante os contactos em Paris e a companhia de figuras marcantes do modernismo português como Santa-Rita ou Eduardo Viana, nos dez anos seguintes, vividos em Arraiolos, seguiu a senda regionalista tradicional que aprendera na escola.
Uma segunda permanência em Paris, de 21 a 26 seria, essa sim, decisiva na obra de Dordio Gomes. Apesar de frequentar a Escola Nacional de Belas Artes de Paris e o atelier de Ferdinand Cormon, o contacto com as novas correntes internacionais, bem como a frequência da tertúlia de artistas portugueses, em Paris na altura, transmitiram um cunho moderno à sua obra.
Esquecidos Columbano e o naturalismo tradicional, deixou-se influenciar por Cézanne, na cor e forma, fazendo até uma breve e incipiente incursão pelo cubismo, que nunca assimilou totalmente; datam desta época Casas de Malakoff e Auto-retrato da natureza morta.
Durante este período viajou também pela Bélgica, Suiça, Holanda e permaneceu 8 meses em Itália onde o contacto com a obra dos grandes mestres italianos lhe despertou o interesse pela pintura a fresco.
De regresso a Portugal, retoma a temática regionalista, agora renovada sob a influência de Cézanne, particularmente sensível no arrojo da forma e na exuberância da cor.
Datam deste período inúmeras obras com motivos da paisagem alentejana, região onde ficou seis anos, até à sua admissão em 1934 como professor de pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto. Nesta Escola, o entusiasmo e abertura com que sempre exerceu a docência, foi determinante para a renovação do ensino, permitindo a formação de uma geração de artistas modernos que se distinguiriam nas gerações seguintes.
Com a vinda para o Norte do País a paleta viva e quente, própria para as terras alentejanas, com a sua luminosidade agressiva e contrastante, foi substituída por outra mais suave e que transmite a luz difusa da atmosfera do Porto. Aqui tomou então o Douro, com a sua paisagem e os seus trabalhos característicos, como tema preferencial. Neste período dedica-se finalmente à pintura a fresco, velho sonho desde a viagem a Itália, executando decorações em vários interiores do Porto.
Ao longo da vida Dordio Gomes foi galardoado com vários prémios e participou em inúmeras exposições, das anuais da Sociedade Nacional de Belas Artes às dos modernistas, cuja primeira geração integrou. Em 23 expôs integrado nos 5 Independentes, no dizer de José Augusto França, a primeira manifestação modernista dos anos 20. Data desse mesmo ano a sua primeira exposição individual, na SNBA.
Nos anos 50 expõe nas bienais de Veneza e de São Paulo.