António Carvalho da Silva Porto nasceu no Porto a 11 de Novembro de 1850 e morreu em Lisboa a 1 de Junho de 1893. Desde 1865 frequentou a Academia Portuense de Belas-Artes onde teve como professores, entre outros, Tadeu de Almeida Furtado e João António Correia. Em 1873 concorreu ao pensionato do Estado para aperfeiçoamento no estrangeiro juntamente com Artur Loureiro que desistiu a seu favor. Partiu para França na companhia de Marques de Oliveira e em Paris estudou com Yvon e Cabanel na Escola de Belas Artes da cidade. Conviveu de perto com pintores ligados à Escola de Barbizon, nomeadamente Charles e Karl Daubigny, nas deslocações que fazia para o campo dos arredores de Paris, onde exercitava o registo de paisagens em contacto directo com a natureza.
Entre 1877 e 1878 viajou pela Itália onde visitou, entre outras, as cidades de Florença, Veneza, Nápoles e Capri: as obras então realizadas dão-nos conta desses lugares e das suas gentes.
De regresso a Portugal é convidado para a regência da cadeira de Paisagem da Academia de Lisboa, em substituição de Tomás da Anunciação.
Silva Porto desempenhou um papel relevante no meio artístico português na introdução e divulgação da nova estética do Naturalismo. Na Academia saía com os alunos para o campo promovendo o exercício da pintura na observação directa da natureza, à semelhança do que ele próprio praticava. Em Lisboa fez parte do célebre Grupo do Leão, associação informal de artistas e homens de letras empenhados na divulgação e consolidação da nova estética. A actividade deste grupo marcou toda a década de 80, quer pela produção de cada um dos artistas que o compunham, quer pelas exposições que promovia e que tinham por objectivo, entre outros, o de dar a oportunidade aos artistas mais novos de apresentar os seus trabalhos.
Silva Porto participou activamente em exposições, principalmente em Lisboa onde residia. Os temas que elegeu para as suas paisagens foram colhidos um pouco por todo o país: privilegiou o meio rural que registou em inúmeros trechos de paisagens povoadas de pessoas e animais envolvidos em tarefas do quotidiano.
É um dos pintores com maior representação no Museu Nacional de Soares dos Reis o que permite uma apresentação particularmente qualificada de todo o seu processo criativo.